Paróquia

Paróquia Santíssima Trindade

08h

10h
17h
19h
18h30
- Folga do Pároco (Pe. substituto) - Terço todos os dias, 18h - Grupo de Oração na Igreja após a celebração
18h30
- Terço todos os dias 18h
18h30
- Terço todos os dias 18h
18h30
- Terço todos os dias 18h- Após a celebração Terço dos Homens.
18h30
- Terço todos os dias 18h
18h

Comunidade Nossa Senhora Aparecida

Sábado
17h
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A Santíssima Trindade (Pai, Filho e Espírito Santo) é uma construção composta da congregação de muitas expressões de Fé. Busquemos compreender as questões em relação à experiência de Deus, à práxis da fé e analisar também as três concepções de Deus que se desenvolveram na história ocidental: Deus como substância suprema, sujeito absoluto e Deus Trino e Uno.

Em relação à experiência de Deus

Deus é experimentado indiretamente na descoberta da nossa mais absoluta dependência existencial. Pela experiência de Deus entende-se não apenas a nossa experiência de Deus, mas também a experiência de Deus conosco. Deus experimenta o homem a seu modo divino e de modo diverso. A Bíblia é o testemunho da história de Deus e sua experiência com os homens. Quando o homem, pela Fé, experimenta como Deus o experimentou e ainda o experimenta, então, Deus deixa de ser causa abstrata do mundo ou a origem desconhecida do seu sentimento de total dependência, passando a ser um Deus vivo. Quanto mais entende a experiência de Deus, tanto mais profundamente, se lhe revela o mistério da Paixão de Deus. Hoje o mundo moderno corre o risco de transformar as experiências em auto experiência (que é o medo da experiência do outro). Perde-se a capacidade de admiração e a disposição para a dor. Essa cultura de subjetividade leva-nos ao risco de cair numa cultura do narcisismo. Que transforma o eu em seu próprio prisioneiro.

Em relação à Praxis da Fé

Neste mundo moderno tornou-se pragmático: o que não pode converter-se em fato, não tem valor. Somente a prática confirma uma teoria. A verdade ocorre apenas no fato verificável. Mas o Homem que age com esta filosofia tem Deus na sua retaguarda e o mundo diante de si. Para ele, o mundo é o campo da sua missão, do anúncio do Evangelho, do amor ao próximo. O interesse que orienta o conhecimento da razão moderna deve ser designado como conquista e dominação no entanto. Conhecer para os filósofos gregos e os padres das igrejas, a participação na vida do outro e que funda a comunhão – o conhecimento.

Concepções de Deus

Deus como Substância Suprema

As provas cosmológicas da existência de Deus apoiam-se na finitude do mundo, ao qual se contrapõe o seu infinito. Segundo São Tomás de Aquino existem cinco vias de provas cosmológicas. Elas partem do mundo e têm como pressuposto que o mundo não é um caos, mas um cosmos, perfeitamente ordenado por leis eternas. As provas procedem da filosofia grega. “Deus”, em grego, significa um predicado, e não um nome. Deus está presente em todos os acontecimentos do mundo. Por isso a vida está cheia de Deus. A Divindade por ser UNA, é origem e medida do múltiplo no cosmos.

1ª Via – Fenômeno do movimento no mundo – Primum Movens.

2ª Via – Parte dos efeitos do mundo e chega ao conceito de causa prima.

3ª Via – Parte da contingência de todos os seus e chega ao conceito de Inperse Necessarium.

4ª Via – Parte dos graus da escala dos seus do mundo e chega ao conceito de Maxime ens Intellectus.

5ª Via – Parte da ordem do mundo para chegar ao conceito do Supremo.

O ser Divino é o ser movente, causador, necessário, puro, inteligente.

Deus como sujeito absoluto

No caso da concepção de Deus sujeito absoluto em cosmos ordenado, o homem cognoscente considera a si mesmo como um ser animado e dotado de espírito que está cheio de Deus. O ponto de referência e central desse mundo não é substância suprema, mas sim o sujeito humano. Portanto, a unidade do real não é mais definida cosmológica ou teocêntrica, mas antropocentricamente. Daí surge o ateísmo ocidental, Deus é experimentado através da autoexperiência do homem crente e não se apresenta no mundo explicável das coisas, Ele deve ser procurado no mundo da vivência do Eu. Abre-se a reflexão sobre a absoluta subjetividade de Deus. Deus, pensado como sujeito dotado de razão perfeita e vontade livre, é na realidade o protótipo de homem livre, inteligente, soberano e senhor de si. Por isso esse conceito de Deus, amplia-se para o conceito de “Personalidade Absoluta” ou imagem do Deus Pessoal – compressão do homem como sujeito, enfatizando a subjetividade de todos os seus conhecimentos e relações.

Deus Uno e Trino

Para entendermos o testemunho neotestamentário da história de Cristo, Filho de Deus, a teologia desenvolveu o conceito trinitário de Deus. A trindade cristã de longa data expressou-se seguindo o conceito comum da substância suprema divina: Una substantia – tres personae.

A substância divina Una, indivisa e homogênea constitui-se em três pessoas individuais e divinas. Por isso as três pessoas são diferentes entre si, mas unas na sua substância divina comum. Agostinho partiu do Deus uno, como base na sua Essência Única e só após, chegou à representação das pessoas trinitárias. Se, de acordo com Tomás de Aquino, abstrairmos as pessoas trinitárias, permaneceria ainda a natureza divina Una. É ela que, de modo geral, deve ser designada como Deus, não as três pessoas ou apenas uma delas.

A partir de Hegel, a Trindade Cristã passou a ser representada no conceito do sujeito absoluto: Um sujeito – três modos de ser. O sujeito absoluto e divino, uno e idêntico, só pode ser pensado como sujeito perfeito quando se relaciona consigo mesmo. O sujeito absoluto e divino, uno e idêntico, reflete-se por força intrínseca, em três modos de ser, e comunica-se a si mesmo por esse modo triádico: Deus revela a si mesmo através de si mesmo. A agregação do pai, como o Eu, do filho com o si próprio e do Espírito com a identidade do Eu próprio de Deus, constitui a estrutura Fundamental da moderna doutrina trinitária.

As novas teorias e relativistas do mundo dão lugar a um comportamento mais social. Diferente da  trindade substancia suprema, a doutrina trinitária social se torna mais adequada, em função das escrituras como testemunho da História, das relações comunitárias da trindade, revelada ao mundo e aos homens. Essa hermética trinitária dispensa o pensamento subjetivo, que só consegue produzir mediante o isolamento.

Portanto Deus é amor

O amor não pode realizar-se na esfera de um sujeito isolado. Um indivíduo como tal, não pode comunicar-se: individumm est ineffabile. Se Deus é amor, então ele é ao mesmo tempo o amante. , o amado e amor. O amor é o bem que se comunica, desde toda a eternidade. A teologia do amor é uma teologia Shekinah, uma teologia do Espírito Santo, e por isso deve ser designada não como patriarcal, mas bem mais como feminina, o Espírito Santo tem princípio feminino da divindade. “Se vês o amor Vês a trindade:  Pois a amante, o amado e o amor, são três”. (Santo Agostinho)

Ícone da Santíssima Trindade

Ícone pintado por André Rublev, monge russo do inicio do século XV, em honra de São Sergio de Radonesh, outro monge do século XIV que durante o tempo violento (invasão dos tártaros) confortava o povo cristão com suas pregações sobre a Santíssima Trindade.

Ele pintou uma cena histórica da vida de Abraão e fez desta cena pintada uma das mais belas mensagens, simbolicamente fecundas, do mistério mais profundo de nossa fé: a Santíssima Trindade.

O texto bíblico que nos fala desta cena é (Gn 18,1-5). Abraão acampou no vale de Mambré. Sentado debaixo de um carvalho viu três homens se aproximarem. Ele correu ao encontro deles e os saudou, dizendo: “meu Senhor, eu te peço…” Convidou-os a pararem e tomarem uma refeição que ele, rapidamente, iria preparar para eles.

Nós cristãos fazendo a releitura do texto ficamos eletrizados com a aparente incongruência nas palavras de Abraão que viu três e os convida como se fossem um só: “meu Senhor, eu te peço…” Abraão jamais viu e ouviu, como tantos profetas do passado, o que nós temos o privilégio de conhecer: o mistério do Reino, o mistério íntimo de Deus que é Pai, Filho e Espirito Santo ( Lc 10,23-24).

O monge André Rublev, pintando aquela cena do banquete, oferecido por Abraão aos três visitantes, consegue nos introduzir contemplativamente no mistério da Santíssima Trindade.

O ícone nos apresenta três aspectos da Santíssima Trindade: a igualdade, a diferença e a unidade.

A Igualdade

Rublev deve ter meditado muito sobre a palavra de Jesus: “Felipe, quem me vê, vê o Pai” (Jo 14,9)

As três pessoas têm a mesma fisionomia;

As três pessoas têm o mesmo tamanho;

As três pessoas têm a mesma auréola (sinal de Santidade);

As três pessoas têm o mesmo báculo de peregrino (simbolizado no ícone como cetro real, poder divino);

As três pessoas têm asas;

As três pessoas vestem azul – sinal de divindade.

A Diferença

As três pessoas estão em posições diferentes:

1ª pessoa – Pai à esquerda

2ª pessoa – Filho ao centro

3ª pessoa – Espírito Santo à direita

1ª pessoa: à esquerda

Roupa amarela, transparente, a luz irradiante (Jo 1, 1,5)

Mão estendida caracterizando envio, fonte e origem.

Postura ereta – envia o Filho e o Espírito Santo e – não é enviado por ninguém.

2ª pessoa: ao centro

Veste vinho – sinal da sua natureza humana.

A mão na mesa com os dois dedos em “V”, simboliza sinal de vitória.

A estola simboliza o Sacerdote (Hb 9, 12)

A cabeça inclinada indica a relação com o Pai (Jo 1, 18).

3 pessoa: à direita

Figura mais inclinada, volta-se para o Pai e para o Filho (Jo14, 16, 17) (Jo 14, 26).

Capa verde esmeralda, transparecendo uma cascata de água que cai sobre nós (Sb 1, 7) (Ap 22, 1).

A Unidade

Sentados numa harmonia com expressão circular representando movimento.

Caracterizam uma comum união e um dinamismo (Jo 4, 16).

Transparecem uma intimidade mútua.

Relação Dialogal e Trinitária

Pai e Filho:

Próximo um do outro, as asas se sobrepõem.

Posição inclinada do filho voltada para o Pai. (Lembra João com Cristo na Última Ceia) (Jo 13, 25) (Jo 17, 9-10).

Filho e Espírito Santo:

Estão próximos e as asas se tocam.

Envolvidos pelo mesmo movimento voltado para o Pai.

Suas mãos quase se tocam em cima da mesa. (Os dois foram enviados pelo Pai para missão).

Pai e Espírito Santo:

Ambos de corpo inteiro suas pernas traçam o contorno de uma copa que envolve o próprio Cálice onde cristo se imola.

Seus pés quase se tocam, preparando a entrada do cristo (o próprio caminho) na história.

Outros Elementos

Casa sobre o anjo da Esquerda.

Casa de Abraão (Igreja).

Árvore sobre anjo do centro Cruz.

Carvalho que abriga Abraão (Trono Cristo).

Rocha sobre anjo da direita.

Onde deus se manifesta (lugar Teofórico)

Bandeja sobre a mesa com vitelo

servido por Sara (mulher de Abraão) às 3 horas.

Cálice Eucarístico.

Mesa com orifício.

Altar do sacrifício dos mártires.